As coisas mais importantes que aprendemos

Existem pessoas que insistem em dizer que as coisas mais importantes que aprendemos são as coisas que aprendemos em casa, da nossa família. Essa parece a afirmação de um demagogo, algo facilmente contestável. Afinal de contas, cada um de nós já escutou pelo menos uma vez “Vai estudar, menino, se quiser ser alguém na vida”. A educação formal é algo cada vez mais importante em nossas vidas.

Há duas gerações, bastava que a pessoa soubesse ler, escrever, saber fazer direito algum afazer, tivesse um ofício, como se costumava dizer. A pessoa levava jeito com madeira, ia logo ser carpinteiro, arrumava logo um “ganha-pão”. Os anos passaram, e a concorrência aumentou. Para garantir um futuro promissor, era preciso não somente acabar o ensino médio, mas sim fazer uma faculdade. Os cursos eram vários, engenharia, enfermagem, nutrição, letras, pedagogia, geografia, biologia, e mais um sem número destes. Parecia impossível que inventassem mais cursos; mas inventaram.

Surgiu a tecnologia da informação, tornando quase obsoletos cursos como biblioteconomia. Engenharia se abriu em diversos outros campos, mecânica, química, de produção, aeronáutica, civil, de energia, mecatrônica, de trânsito, de alimentos. Os médicos se tornaram cada vez mais especialistas, a ponto de existir especializações de medicina que cuidam da unha do dedão do pé esquerdo, que nada pode fazer por você se o problema estiver no pé direito.

Hoje já não basta ter um diploma de faculdade, é preciso falar uma língua estrangeira, ler jornais, ter experiência no mercado de trabalho, antes mesmo de pedir seu primeiro emprego. Se destacar da multidão se torna uma tarefa cada vez mais difícil. A sociedade em si vai ficando mais bem informada, capaz de desenvolver novas tecnologias, evoluir. Essa evolução toda vem das invenções, da dedicação, da educação acadêmica. Mas a sociedade vai evoluir para onde? Parece uma perguntar fácil, simples, trivial; mas é nesta que reside o ponto chave da questão. As mesmas mentes brilhantes que criam armas de destruição em massa podem achar a cura do câncer. Então, qual a diferença fundamental entre estas mentes brilhantes? Certamente não é sua formação acadêmica, mas sim os seus valores, sua ética, seu caráter. Isso tudo começa em casa.

A educação acadêmica pode até ter dado grandes passos nas últimas décadas, mas os valores eu tenho minhas dúvidas. A convivência familiar está cada vez mais escassa, as idas à igreja e a vivência de comunidade cada vez menos frequentes. Estão sendo delegados para as escolas e a catequese os papéis mais fundamentais, que é a formação do ser humano que as crianças de hoje um dia serão. Estas instituições são sim responsáveis, por complementar e fazer germinar a semente plantada no lar.

O que fazia um ser humano descente na época dos nossos avós, e na época de nossos pais, são exatamente as mesmas coisas que fazem nos dias de hoje. As coisas mais importantes da vida independem da época em que se vive. A educação formal determina a velocidade que as coisas serão criadas, mas a direção que uma sociedade caminhará, são os valores ensinados em casa que determinarão. Não raramente, mais vale a constância de propósito de se saber onde quer chegar do que a pressa de uma caminhada errante.