A produtividade por trás de “Deus ajuda quem cedo madruga”

Esse ditado popular, que tantas vezes nos incomoda por trazer consigo uma mensagem de proatividade, tem seus porquês sutis, a a sabedoria popular se mostra mais uma vez eficaz.

Eu sempre tive o hábito de acordar cedo, sempre estudei pela manhã, sempre me acostumei em começar o meu dia ao som de um despertador. Eu sempre acordei cedo, até me mudar para São Paulo. De maneira surpreendente, foi o trabalhar em São Paulo que desregulou o meu horário. Eu poderia entrar no trabalho entre 8h e 9h sem quaisquer preocupações. Seguindo meu modelo mental e biológico desenvolvido e cultivado até então, eu preferiria entrar mais cedo, e sair mais cedo. Foi aí que eu descobri que o sair mais cedo não existiria, e independentemente da hora em que eu chegasse, eu sairia tarde, e mais tarde, e extremamente mais tarde. Ninguém precisa ser PhD em economia para descobrir que os incentivos criados me fariam chegar ao trabalho o mais tarde que me fosse possível, e assim eu passei a chegar no trabalho às 9h, com pequenas variações para cima ou para baixo.

Quanto mais tarde eu saía do trabalho, mais eu sentia que não estava vivendo a minha vida, e portanto até mais tarde eu gostaria de ficar acordada, afinal de contas, queria viver algumas horas que fossem minhas, para fazer o que eu quisesse fazer. Mais tarde eu dormia, precisava acordar no mesmo horário, então menos horas eu dormia. Chegava o tão esperado fim de semana, um fim de semana que outrora me trazia inúmeras possibilidades de atividades, mas que passaram a servir para tirar o atraso do sono, e se tornavam cada menos menos produtivos, e divertidos.

Hoje completa-se três meses que eu saí da empresa e me mudei de volta para BH, uma cidade grande com espírito de interior. Somente agora estou conseguindo voltar a acordar cedo, mas com ainda muito custo. É impressionante a capacidade de adaptação do corpo humano às realidades. Morar e trabalhar em SP mudou um ritmo biológico construído ao longo de 20 anos, e agora pouco a pouco o difícil está sendo me readaptar a este ritmo original. Consigo fazer minha atividade física pela manhã, tomar um banho, tomar café da manhã com minha mãe, antes de me arrumar e irmos às duas para seus respectivos trabalhos. A disposição até o final do dia de não ter desperdiçado a sua manhã rolando na cama, e de sentir que mesmo cedo você já fora capaz de fazer algo por você mesma, antes de começar a trabalhar, isso melhora a produtividade.

 

Deus ajuda quem cedo madruga, comece o dia fazendo algo por você, ao invés de esperar o dia inteiro para se sentir importante.