Oceanos

Desde minha visita a Salvador, estive pensando em oceanos. Parece algo demasiadamente alternativo para manter sua cabeça ocupada, em especial quando se trata de uma economista.

Eu nunca fui particularmente muito fã de praia. Pouca roupa, muito sol, sal, areia que num desgruda do pé, maresia…enfim, eu não sou a praieira. Talvez seja pelo fato de eu ter nascido nas montanhas Gerais, e praia nunca foi algo com o qual eu tivesse me acostumado. No entanto, meu argumento é inválido, porque a maioria das pessoas de Minas num pode ver uma praia que logo se encanta. Mas isso é uma discussão para outro dia.

Independente da minha falta de paixão por um banho de mar, eu sempre fui fascinada com a vista de uma bela praia. Oceanos têm essa capacidade de me deixar em uma nostalgia contemplativa. Sempre achei que fosse porque oceanos são muito grandes, e isso acabava salientando o fato de eu num ser alguém particularmente grande. No entanto, esses últimos dias, estive abordando esses pensamentos sob uma nova ótica.

Acho que o que me chama atenção em oceanos não é sua vastidão, mas suas oportunidades. Eu já viajei muito na vida, e é estranho pensar que o Oceano nada mais é do que o caminho para todos os lugares, pessoas, culturas e amizades que conheci. Sob este aspecto, o oceano não é mais o que separa, mas sim aquilo que une os continentes.

Ao entrar no avião e olhar pela última vez aquele mar, antes de retornar para minha querida terra de montanhas, eu me pus a refletir….será que eu também imaginaria que o oceano era o fim do mundo se eu não soubesse que a terra é redonda, se eu nunca tivesse visto um globo terrestre? Talvez o conhecimento seja em si o maior limitador da criatividade.

Foi quando eu pensei no Universo. Eu tenho uma certa resistência quando o assunto é pensar no espaço, talvez porque não me interesse muito, talvez porque eu ache que todo o conhecimento que se têm ainda é muito limitado, e eu não queira passar a vida pensando como os navegadores pré século XV, em monstros marinhos e fim do mundo. Talvez eu seja alguém que simplesmente não consegue lidar com o desconhecido.