Museu de Grandes Novidades

Nunca antes uma música do Cazuza fez tanto sentido para mim. Cheguei a esta conclusão após ouvir a palestra de Samuel Arbesman, e começar a ler o seu livro The Half Life of Facts. O livro discute as meias verdades que conhecemos. Já soubemos que a terra era plana, que existiam monstros marinhos, que o sol gira em torno da terra, e que fumar faz bem. Hoje nos referimos a tudo isso com a palavra “achavamos”, mas o ponto é que estas coisas eram por nós tidas como verdade, assim como várias outras coisas que acabaram não sendo verdade. Um exemplo que na minha opinião é quase caricatural são as dietas. Um dia Açúcar mata, no outro dia adoçante mata. Café faz mal, café faz bem, chocolate faz mal, chocolate faz bem, manga com leite mata, e por aí vai….como lidar então com esse “conhecimento” volátil e incerto? Leia e descubra. Coloquei o link para quem estiver interessado em adquirir um exemplar, vale muitíssimo a pena.

Sam Arbesman é um cara que pensa no futuro. Ele não é um lunático, um desagregado da realidade, muito antes pelo contrário. Ele é um matemático por formação, que se interessa por tudo. Seu hobby é entender os processos por trás de tudo o que nos cerca. Ele se auto-entitula um generalista, em detrimento de um especialista. O problema com especialistas é que eles entendem cada vez mais de cada vez menos, e existem poucas pessoas pensando no todo, entendendo o todo. Especialistas são necessários, e devem existir, mas é preciso existir alguém que entenda o contexto daquilo que estamos inseridos.

De todas as coisas que foram ditas durante o momento que estivemos com ele, uma mais me chamou atenção. Existe uma discussão, relatovamente em alta, se deveriam introduzir tablets nas salas de aula, para que crianças tenham contato com tecnologia desde cedo e utilizem de maneira positiva. A resposta nua e crua do Sam foi: Essa discussão é inútil. A princípio me surpreendeu que alguém que pensa tão a frente de seu tempo tivesse uma posição conservadora. Eu nunca estive tão enganada. As pessoas que utilizam tablets hoje no mercado de trabalho sequer tinham celular quando estavam na escola. A tecnologia muda muito, e esta mudando cada vez mais rápido, em uma curva exponencial. Tudo o que a gente conhece hoje, por mais avançado que seja, se tornará obsoleto. O foco não pode ser em treinar as pessoas que hoje estão na escola a usar a tecnologia existente, e sim educar na habilidade de lidar com o fato de que tudo o que se conhece vai mudar.  Isso parece simples, mas não é. Isso questiona todo o método educacional, em que o importante é passar a informação e não desenvolver uma educação para o pensar.

Pense por um segundo em quantas informações você guardava na cabeça antes que hoje se tornou inútil: Números de telefone decorados, caminhos para determinado local, posição das letras no teclado, elementos da tabela periódica, etc. Hoje temos agenda telefônica, GPS, internet, Google, todas essas coisas que terceirizam para nós o armazenamento de dados, deixando nossa cabeça livre. A pergunta importante é: Livre para que? O que você está fazendo com sua capacidade intelectual disponível e não utilizada para armazenamento de informações secundárias? Do ponto de vista econômico, nosso cérebro estava sendo usado de maneira sub-ótima para armazenamento, em detrimento do desenvolvimento. Como criar incentivos para que as pessoas desenvolvam essa capacidade de inovação ao invés que deixem seu cérebro atrofiar? Essa para mim ainda é uma pergunta sem resposta, mas se alguém tiver algum insight que possa compartilhar, eu agradeço desde já a contribuição.

Anúncios