Economia da Propriedade Intelectual

Propriedade Intelectual é um assunto que sempre aparece quando tratamos da relação entre economia e direito, quando tratamos de inovações e quando tratamos de crescimento econômico. Vamos pensar a fundo nos incentivos por trás da legalização da Propriedade Intelectual.

Quando pensamos em investimento em Pesquisa e Desenvolvimento, fica muito claro que queremos resultados. A indústria farmacêutica por exemplo investe milhões ano a ano para desenvolver medicamentos que sejam capazes de curar ou amenizar muitas doenças. A propridade intelectual e as patentes neste caso servem para garantir que estas empresas que investiram pesado em pesquisa tenham seus investimentos compensados pela exclusividade de fornecimento e monopólio temporário, para que os lucros econômicos deste período sejam capazes de configurar um retorno do capital investido. Este tipo de investimento é bastante arriscado, porque embora muitas vezes se descubra a cura de determinada doença, para outra pode ser que se invistão milhões e até bilhões, mas que a descoberta simplesmente não seja feita.

Por outro lado, quando pensamos em inovação, e grupos de pessoas focados em inovação, esta estratégia de propriedade intelectual pode ser um obstáculo a ser superado. Se você voltar ao meu post Criatividade, verá que inovação, descobertas e criações não são coisas que ocorrem isoladas, mas pelo contrário são cumulativas. Quanto mais coisas existem, mais associações e mais invenções podem ser criadas. Gosto sempre de citar Isaac Newton

“Se eu vi mais longe, foi por estar de pé sobre ombros de gigantes”

Isaac Newton reconhecia que ele não inventara todo o conhecimento, mas sim colocou mais um tijolo neste imenso muro que contrói a humanidade em busca da compreensão das coisas que nos cercam.

Sendo assim, como garantir que investimentos em inovação, pesquisa e desenvolvimento continuem sendo feitos, sem criar uma instituição de patentes e propriedade intelectual que inibam, ou pelo menos que desacelerem a geração de idéias? Eu diria que o caminho seria através de uma análise de Teoria dos Jogos do nosso modelo econômico atual. Estamos programados para um ambiente competitivo, mas é possível com os incentivos corretos fazer emergir a cooperação em ambientes não cooperativos.

A conclusão inicial desta minha afirmação seria que eu vivo em uma utopia. Acredito que não. Visitei recentemente a região de Kansas City nos Estados Unidos, e conheci alguns modelos que já tem adotado modelos similares. 1 Million Cups é uma iniciativa que tem se espalhado onde empreendedores se reunem semanalmente, apresentam suas idéias e modelos de negócio a outros empreendedores, que opinam, dão conselhos e apresentam soluções para problemas do dia-a-dia. Estas pessoas não tem medo de perder sua idéia, de serem copiados, de serem traídos, todos estão lá para a promoção do crescimento e fomentar novas idéias e negócios. Paralelamente, conheci a Startup Village localizada também em Kansas City. É um bairro, 5 quarteirões que abrigam 25 empresas em fase de startup. É um bairro de empreendedores, que se ajudam, trocam idéias, coabitam. É um modelo completamente diferente do que estamos acostumados, mas funciona, e seu conceito continua em formação todos os dias. É absolutamente fantástico, e quebra paradigmas.

Dizemos todos os dias que é preciso pensar fora da caixa, mas tenho a impressão de estarmos dentro do mito da caverma de Platão. Enxergamos as sombras, mas somos incapazes de perceber que aquilo é ainda uma outra realidade, que há cor, e que ainda não estamos preparados para enxergar. Percebendo isso então, farei o possível para me soltar e tentar conhecer e experimentar essa realidade ainda desconhecida. Convido-vos a fazer o mesmo e quebrar paradigmas.