Porquoi suis-je sur terre?

Quando estava indo embora da França, minha grande amiga Deborah me deu um livro, com este título acima, que traduzido seria “Porque estou sobre a Terra?” Este livro é um livro cristão, e não vou entrar no mérito das crenças religiosas de cada um pois a questão de fato transcende o nome que se dá à sua expressão de espiritualidade. A verdade é que todos nos perguntamos a razão e a origem da vida. Qual meu papel no mundo? Dei este tema de redação para meus alunos de inglês e o desespero foi generalizado. A dificuldade não é escrever sobre o assunto, mas o refletir sobre o mesmo. Essa questão existencial não é restrita à religião, mas tange todos os aspectos de nossa vida.
Um dos melhores livros que já li sobre atitudes no mundo dos negócios se chama “Personal Branding: a construção de sua marca pessoal” e foi escrito por Arthur Bender, um brasileiro do sul do país. Ele fala sobre a importânciando auto conhecimento na hora de construir e comunicar sua marca. Você é um ser dotado de personalidade, defeitos e qualidades que devem ser comunicados com clareza, sem propaganda enganosa. Bender começa seu livro com a seguinte frase:

Há dois momentos importantes na vida de uma pessoa: o dia que ela nasce, e o dia que ela descobre porque veio ao mundo.

Por alguma razão, esta frase capturou muitíssimo a minha atenção, e fiquei refletindo por dias a fio. De fato, quando você descobre uma razão, um objetivo, as coisas começam a fazer sentido, e não parecem mais ser em vão ou fruto do mero acaso. No entanto, me pareceu meio vazia a frase, e não podia ser que a vida me ofereceria um grande momento de epifania e que depois eu viveria o restante dos meus dias em função dele. Eu tinha razão, e o motivo é elementar: somos seres complexos demais para ter um só objetivo na vida. Nossas razões são múltiplas, e temos razões que a própria razão desconhece. A vida é um eterno descobrir, e os caminhos são variados, o que faz essa jornada valer à pena. Seja inconformado, seja insatisfeito, porque essas são importantes forças motrizes do aprendizado. Já dizia Fernando Pessoa

Tudo vale à pena, quando a alma não é pequena.

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