Qual o limite do desenvolvimento?

Estava calmamente embarcando no meu vôo com destino a Belo Horizonte,  quando reparei uma campanha de marketing do HSBC…
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E comecei a pensar sobre o que aquilo significava em termos práticos.  Se não haverá nenhum mercado por emergir, significa que existe um conceito de desenvolvido a ser alcançado,  e portanto um estado que é passível de ser atingido.  Será? Porque se é possível alcançar tal estado, estamos simultaneamente aceitando a idéia de que um mundo sem desenvolvimento é possível.
Vamos fazer um pequeno exercício de imaginação.  O seu celular em dado momento será o mais avançado possível,  e não mais funções podem ser agregadas. Sua única razão para trocar de aparelho será então para compensar a inevitável depreciação que coisas físicas sofrem. O seu carro não se tornará mais potente,  nem mais confortável,  nem mais econômico. Não haverá novos produtos no supermercado,  pois todos a serem inventados já foram. Seu poder aquisitivo não aumentará com o tempo, e a vida será meramente a reprodução de padrões de consumo previamente existentes. Ainda que seja possível assumir tal mundo sem desenvolvimento,  quão longe estamos dele? Porque ainda não chegamos? Qual o limite?
No princípio,  cada comunidade,  cada economia era mais ou menos auto-suficiente, o que chamamos de autarquia.  O comércio permitiu que cada pessoa se especializasse naquilo que fazia de melhor e trocasse com os demais por outros produtos que quisesse.  Perceberam que este sistema era mais eficiente e resultava em um consumo maior de produtos do que quando cada um deles fazia tudo o que precisava. O comércio entre indivíduos se estendeu para o comércio entre comunidades, economias. Pessoas descobriam maneiras melhores e mais eficientes de obtenção de produtos, portanto tinham mais produtos para trocar, e resultava em mais consumo para todos. Vem daí o conceito que tecnologia é promove desenvolvimento.
As primeiras pessoas de comunidades de caçadores e coletores tinham uma idéia de até onde seria possível expandir suas possibilidades de consumo,  e nós quebramos este limite há milhares de anos. O desenvolvimento parece ser um estado transitório ao invés de permanente,  pois a cada vez que nos desenvolvemos parece haver um limite além a ser alcançado.  Estamos constantemente deslocando este limite adiante, e o limite de nossa imaginação hoje de onde podemos chegar, ainda será quebrado muitas e muitas vezes. 
O conhecimento e a tecnologia parecem ter essa característica cumulativa e exponencial extremamente interessante,  quanto mais se descobre, abre um mundo de possibilidades a ser descobertas,  desbrava caminhos para que outros aventureiros do conhecimento possam se desafiar.
Quanto à campanha do HSBC,  gostaria mesmo que vocês sejam veículo de desenvolvimento para estas economias emergentes,  esta nova ordem mundial que se configura diante de nossos olhos, porque assim como estradas abriram possibilidades de comércio na Roma Antiga, o mercado financeiro hoje estreita distâncias e viabiliza diversos negócios; mas não pensem no futuro como um ponto isolado, mas sim em um vetor de prosperidade do qual vocês estão se preparando para fazer parte.