O papel da escassez no desenvolvimento

Cada vez que se escuta a definição de Economia, ou Ciências Econômicas, necessariamente se passa pelo conceito de escassez, recursos, trade-offs.  Economia estuda o nosso processo de tomada de decisões, mas porque esta está necessariamente relacionada à escassez? O detalhe é sutil, mas faz sentido: As suas decisões que não estão relacionadas à escassez, são escolhas que não precisam ser feitas.

Uma pessoa que escolhe fazer direito na faculdade está abrindo mão de fazer medicina, odontologia, engenharia. Pelo menos naquele exato minuto. Uma hora de dedicação a um curso implica necessariamente ao sacrifício desta mesma hora de dedicação a outro curso, porque nosso tempo é limitado, e por tanto, sujeito à escassez.

Quando uma pessoa vai a um restaurante e precisa se decidir entre o filet mignon e o salmão, é porque existe um espaço limitado em seu estômago (ainda que muitos de nós tente testar este limite) para processamento de alimentos, e portanto está sujeito á escassez.

Agora vamos imaginar alguém fictício, bem rico, de sobrenome “Gates”.  O Sr. Gates tem mais dinheiro do que possivelmente conseguirá gastar na vida, e precisa comprar uma gravata. Em um determinado momento, ele percebe que duas destas gravatas lhe vestiram muito bem. Ele não precisa escolher entre uma gravata e outra, pois o valor de ambos os bens quando subtraídos de seu patrimônio, não causam qualquer efeito. Gates pode comprar as duas gravatas, e não precisa escolher.

Existe um ditado popular que diz que “A necessidade é a mãe da invenção”.  Embora com objetivos distintos, é possível jogá-lo em conjunto com outro ditado da sabedoria popular: “Em time que está ganhando não se mexe”. No fundo, o que ambos têm em comum é que nossas mudanças enquanto sociedade são muito reativas e pouco proativas.  Esperamos passar pela escassez para descobrir um novo recurso, e enquanto o recurso parece abundante, julgamos não ser preciso inovar. Mas inovação e tecnologia são os propulsores de desenvolvimento econômico. Se quisermos um desenvolvimento sustentável, significa que precisamos mudar os incentivos que nos fazem inovar. Uma boa dica seria aprender com o “erro alheio”. Várias economias já passaram por situações em que um determinado recurso importante tornou-se escasso, e tiveram de aprender a lidar com isso. Porque não começamos desde já a analisar quais aprendizados podemos tirar de cada situação, e tornar nosso processo criativo mais acelerado?

A sabedoria popular tem seu lugar, mas vez por outra é preciso quebrar paradigmas, porque tomando os mesmos caminhos, não se chega a lugares diferentes.

Anúncios