Tomadas Brasileiras – Teoria dos Jogos

Quando começo a refletir acerca do cenário no qual emerge o novo modelo de tomadas brasileiras, não consigo me impedir de indagar sobre qual foi a linha de raciocínio do cidadão que resolveu “inovar” e criar um novo modelo de tomadas, desenvolvido único e exclusivamente para o povo brasileiro. Internacionalmente, nos posicionamos assim:

Vamos desconsiderar por um minuto o palavrão utilizado no esquema acima, só gostaria de usá-lo como ilustração.

Parte do papel do economista é ser capaz de se colocar no lugar de outras pessoas e entender como tomam decisões, bem como as redes de incentivo que conduzem a tal conclusão.

O padrão de tomadas nos remete a um caso clássico de Teoria dos Jogos, “Ranked Coordination”, muito importante na determinação de padrões. Ele foi primeiramente utilizado para análise da produção de computadores, quando acontecia a migração dos disquetes grandes para os pequenos. O custo de fazer um computador que fosse compatível para as duas entradas era muito alto, e no entanto causaria muitos transtornos caso o dono de um computador compatível com disquetes pequenos quisessem usar os grandes e vice-versa. Vamos chamar estes produtores de Smith e Jones.

Ranked Coordination

Sendo assim, se os dois optam por produzir computadores compatíveis com disquetes grandes, isso custa menos pois a tecnologia é mais antiga, e o lucro de ambos é 2 unidades. Se os dois produzirem computadores compatíveis com a nova tecnologia,isso custa um pouco mais, o lucro é um pouco menor, mas ambos tem lucro, pois estão seguindo a tendência. O problema está quando um escolhe produzir computadores compatíveis com o disquete grande e outro com o disquete pequeno, porque ambos vão reduzir o mercado, precisarão de adaptadores, e tudo aquilo que vocês já conhecem. Sendo assim, o melhor é cooperarem para manter um padrão no mercado.

E o que este jogo tem a ver com as tomadas? Imagine que Smith seja o Brasil e Jones o resto do mundo. Se o Brasil e o resto do mundo coordenarem e escolherem um padrão único de tomadas, ambos ganham mais ((já bastam as barreiras culturais, linguísticas e alfandegárias a serem ultrapassadas)). Quando escolhem padrões diferentes, é prejudicial para ambos. Claro que aqui o resto do mundo sofre um pouco menos, pois são mais numerosos, e podem intercambiar entre si, diluindo o “prejuízo” causado pela não coordenação de padrões. Mas e o Brasil, porque decidiu mudar o padrão de tomadas?

Segundo os princípios econômicos, podemos levantar duas possibilidades: 1ª O Brasil acreditou que este eventualmente seria o novo padrão mundial, e o resto do mundo o seguiria nesta inovação fantástica ¬¬  ((sem palavras)) 2ª O Brasil acredita ser mais vantajoso continuar criando barreiras para o comércio internacional, um intuito de reproduzir uma versão moderna do processo de substituição de importações da década de 30 nos dias atuais, e tornar a Zona Franca de Manaus um polo industrial capaz de suprir toda a demanda eletro-eletrônica do país.

Seja qual for a explicação, a Teoria dos Jogos é clara, quando se trata do estabelecimento de padrões, todos ganham quando são capazes de se coordenar.

Anúncios