Empatia…e seus desdobramentos

Hoje eu fiquei pensando sobre empatia, e seus desdobramentos…

Em inglês existe a expressão “put yourself in someone else’s shoes”, que seria literalmente calçar o sapato de outra pessoa. A primeira impressão que se tem quando se calça o sapato de outra pessoa é que eles não lhe servem, ainda que sejam o seu número, e isto ocorre porque à medida do tempo, os sapatos se ajustam ao formato do pé de seu dono, que é algo muito peculiar. Este desconforto é o primeiro passo metafórico para entender que não somos todos iguais, ainda que assim pareça.

Eu estive conversando com uma pessoa que conheci aqui em Lawrence, que se mudou para cá faz três anos para trabalhar com um grupo cristão. Ela me perguntou o que eu mais senti diferença quando vim para cá (aliás, essa é a pergunta preferida de todo mundo quando conhece um estrangeiro). Naquele momento, foi como se um mini filme tivesse passado pela minha cabeça, onde todas as minha últimas mudanças foram recaptuladas num exame de consciência. Na Nova Zelândia o que me chocou foi a comida, na França foi a dificuldade de lembrar de trocar de pronomes em conversas formais e informais, em São Paulo foi a distância das pessoas umas com as outras, e aqui foram os “protocolos sociais”, o que fazer quando alguém te cumprimenta. Embora sempre houvesse algo de diferente nos lugares para onde fui, estas coisas foram me afetando cada vez menos. Metade do tempo eu sequer me lembro que estou em outro país, é só mais um dia, único, como todos os dias devem ser. Eventualmente eu respondi a pergunta, e ela me disse o tanto que para ela foi difícil se mudar de sua cidade natal para cá. Essa foi a primeira grande mudança da vida dela, 3 horas de carro de distância. Começamos a conversar então sobre assuntos variados, e eu fui capturando em sua abordagem dos mais diferentes temas o quanto mudança, seja de lugar ou de rotina, era algo complicado, e realmente difícil de lidar. Eu a propus um exercício simples: Mudar o lugar dos móveis da casa dela, na medida do possível. Eu senti ela respirar mais fundo ao somente imaginar a possibilidade das coisas não estarem no mesmo lugar em sua casa.

Eu cheguei à conclusão que é mais fácil ter empatia quando se está acostumado a mudanças. Se você já está acostumado a passar por constantes choques culturais, ou resetar sua vida e começar de novo com uma perspectiva completamente nova, é mais fácil se imaginar em um cenário onde sua vida é a vida de outra pessoa.

Uma das grandes lições que eu aprendi sobre a vida veio da prática do Ecumenismo e vice-versa. Eu cosumava dizer nos meus encontros de catequese: Ecumenismo não significa relativizar tudo que você acredita, mas sim fortalecer suas crenças nos pontos em comum com as demais religiões. Da mesma forma, em choques culturais ou simplesmente de personalidade, não significa que você precisa negligenciar sua personalidade, sua cultura, mas sim fortalecer os valores que se tem em comum com outras pessoas, com outras culturas. A empatia promove a tolerância, o aprendizado e a consciência de que na diversidade é possível encontrar um denominador comum.