A Língua Universal

Vivendo em um país tão cosmopolita quanto os Estados Unidos te faz pensar bastante sobre culturas, idiomas, pessoas e padrões. É como estar vivendo o desdobrar séculos depois da Torre de Babel, onde as pessoas ao invés de terem aceitado o fato de que não conseguiam se entender e seguir seu caminho, resolveram ficar e se esforçar para se comunicar. Todos os dias eu vejo pessoas que não tem inglês como sua língua materna se desdobrando em mil para se fazer entender, tudo isso com muito gesto e sotaque (uma ajudinha do Google Tradutor também é salutar). A milênios atrás, a humanidade se espalhou, e hoje tenta convergir. Cada cultura tem seu jeito, seu toque especial, é única, e cria identidade. Foi aí que eu comecei a pensar na língua universal.

Já ouvi dizer por aí que inglês é a língua universal. Isto é claramente uma falácia. O inglês é sem dúvida nenhuma a língua mais falada hoje em dia, e é extremamente importante para todos que querem se aventurar neste mundo globalizado. Mas isso é tudo. O inglês não é mais do que um dia foi o latim ou o grego. É uma língua popular, e eu tenho certeza que os ventos da mudança novamente irão soprar, e a língua da vez irá mudar. Também sei que isso não acontecerá no meu tempo de vida, e talvez nem no dos meus netos, mas a mudança é inevitável.

Já ouviram falar no Esperanto? Essa também foi uma tentativa de universalizar um idioma, que já nasceu para dar errado. Foi criado por um Polonês, e o princípio é até interessante: Juntou-se as regras mais simples de todas as línguas do mundo, no intuito de criar um idioma que fosse facilmente adquirido por qualquer pessoa em qualquer cultura, e seria o principal meio de comunicação entre pessoas que tivessem línguas maternas diferentes. O problema com essa idéia é simples, e vêm do nosso maravilhoso conceito Econômico de Oferta e Demanda. É como querer criar uma nova Rede Social, e tentar competir com o Facebook. A nova Rede Social pode ser melhor que o Facebook, mas se todo mundo está acostumado a usar o Facebook, uma pessoa que decide se inscrever nessa nova rede social vai entrar e não ter ninguém para conversar, e se ela for incapaz de convencer todos os seus amigos a se mudar para a nova rede, esta eventualmente cairá em desuso total e desaparecerá. Foi o que aconteceu com o Esperanto.

Para encontrar a língua universal, é preciso esquecer um pouco o mundo, culturas, fronteiras, e ir para o ponto comum de todos estes: O ser humano. Como seres humanos se comunicam? Foi aí que eu caí em uma pequena armadilha de minha própria linha de raciocínio. Eu pensei nos gestos e linguagem corporal. Todos nós nos comunicamos através de linguagem corporal, mas esta também é altamente cultural. O mesmo gesto significa diferentes coisas em diferentes culturas, e coisas que são perfeitamente normais e aceitáveis em um lugar, são completamente inadimissíveis em outras.

O silêncio, e só o silêncio, é a linguagem universal. É o idioma no qual você se comunica consigo mesmo, é no silêncio que opiniões são formadas, que pensamentos transitam, que você se conecta com sua alma. Não importa a que cultura pertença, em qual lugar esteja, o silêncio é imutável. O silêncio é o código auto-contido, em que a gramática não se aplica, que as palavras não limitam, que a razão entende e a alma compreende.

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