Chimpanzés vs. Humanos em Teoria dos Jogos

Uma pesquisa da Universidade de Kyoto em parceria com a Caltech sobre Teoria dos Jogos revelou que chimpanzés têm melhor desempenho que humanos em uma adaptação do famoso jogo “matching pennies“, ou nosso “par ou ímpar”. A idéia é a seguinte, os indivíduos tem dois comandos: Direita e Esquerda. Se ambos apertarem o mesmo comando, um deles ganha. Se divergirem, o outro ganha – Para os chimpanzés, eram recompensados em banana ou maçã quando eram vencedores; já para os serem humanos (foram utilizados no experimento alunos universitários americanos, e moradores de vilarejo africanos) o prêmio fora em dinheiro.

Para ilustrar o experimento, vide vídeo abaixo.

 

Para aqueles que têm familiaridade com Teoria dos Jogos, o conceito de Equilíbrio de Nash neste jogo diz que não há equilíbrio em estratégias puras, e terá em estratégias mixtas, onde os jogadores randomizam (jogam uma distribuição de probabilidade entre as estratégias). Em outras palavras, uma só estratégia não trará equilíbrio (Se o jogador A escolher esquerda, a melhor estratégia do jogador B é jogar direita. Mas se o jogador B escolher direita, o melhor que o jogador A tem a fazer é também jogar direita, o que muda a estratégia do jogador B, não chegando a um equilíbrio onde ambos os jagadores estão fazendo o melhor que podem fazer). Este conceito de estratégias aleatórias é difícil de ser assimilado por seres humanos, que racionalizam em excesso e tentam escolher, quando a melhor opção é de fato ser aleatório em suas escolhas. Os chimpanzés durante o experimento assimilaram a natureza aleatória do equilíbrio mais rapidamente que os humanos em diferentes condições sócio-econômicas.

As hipóteses para tal fenômeno têm origem tanto sociais quanto fisiológicas de cada uma das espécies. Do ponto de vista fisiológico, chimpanzés tem habilidade de reconhecimento de padrões e sequências superior ao dos seres humanos, e portanto tem curva de aprendizado mais curva, atingindo o equilíbrio de Nash com maior rapidez. Sob um ponto de vista social, chimpanzés são naturalmente competitivos, enquanto a natureza humana contém traços de instintos cooperativos, que acaba atrapalhando em performance de Jogos de soma zero como este – jogos de soma zero são aqueles que um ganha o que o outro perde, e vice-versa. Não há criação de valor, apenas transferência entre os jogadores.

Para mim, eenquanto economista e com amplo interesse em Teoria dos Jogos, é extremamente interessante ver que os princípios econômicos de equilíbrio tem aplicação não somente no ramo econômico, mas também na natureza. Por outro lado, instiga ainda mais minha curiosidade sobre o ser humano, que é nosso objeto de estudo, e a complexidade de seu comportamento, que por vezes é uma bênção, outras uma maldição.

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