Era uma pessoa igual a cem mil outras….

Era uma pessoa igual a cem mil outras, mas fiz dela um amigo. Agora ela é única no mundo.

O Pequeno Príncipe (Antoine de Saint-Exupéry)

Esta me parece uma verdade auto-explicativa. De fato, é uma verdade já percebida por muitos ao longo da história, mas frequentemente esquecida no cotidiano. Quando o livro “O Pequeno Príncipe” fora escrito, havia apenas 2 bilhões de pessoas no mundo. Hoje já somos 7 bilhões, e a idéia de ser único parece ser cada vez mais inconcebível.

Eu já viajei e morei em quase todos os cantos dessa terra, e fiz amigos até dos lugares que jamais imaginei encontrar. Lugares que para mim antes não passavam de um nome em um livro de geografia, ganharam um rosto, uma personalidade, e histórias saudosas de pátrias longínquas. Eram lugares iguais a cem mil outros lugares, mas fiz lá um amigo, e agora ele é único no mundo.

Mas nesse vai e vem de cantos, o mundo vai se tornando cada vez menor….e cada vez maior. A dificuldade de reencontrar os rostos amigos se torna cada vez mais intransponível, e a distância dói.

Mas a vida continua, e conheço novas pessoas, faço novos amigos, que se tornam também únicos no mundo. O meu mundo e minha vida se enchem cada vez mais de pessoas, únicas e insubstítuíveis, e a saudade que eu imaginava já não ser capaz de caber dentro de mim, cresce ainda mais, em meu coração que agora só tem amigos e saudades.

Mas como já dizia Aristóteles:

A amizade é uma só alma dividida entre dois corpos

Deixo com meus amigos pelo mundo um pedacinho da minha alma, para que cuidem e se lembrem de alguém também único que conheceram nesta vida: EU!

distance