Políticas Públicas – Uma trajetória metafórica

O Brasil é um dos pouquíssimos países do mundo onde o voto é compulsorio, e infelizmente às vezes esquecemos que votar é um direito, antes de ser dever.
As pessoas com frequência me perguntam: Qual é sua posição política? Minha posição se chama bom senso, equilíbrio acima de tudo.
Na época da ditadura, a frase célebre que definia as políticas públicas era: “É preciso fazer o bolo crescer para depois dividir.” Essa frase reflete um trade off clássico que existe em Economia: Eficiência Vs. Equidade. Um país que não se preocupa com a distribuição de renda, crescerá absurdamente, pois o dinheiro concentrado nas mãos de poucos tende a ser melhor aproveitado. Um país que se preocupa demais com a distribuição de renda gasta muito dinheiro redistribuindo renda, penaliza os empresários num esquema meio Robin Wood. Este país não cresce. Eventualmente estes dois extremos encontrarão sua sina. O país eficiente não enxerga que a economia e as pessoas não são dissociáveis, e um país sem mercado consumidor não pode mais crescer. O país que prima equidade não é mais capaz de gerar renda, pois os empresarios não tem mais incentivos em continuar investindo seu dinheiro, e muito dinheiro se perde em custos administrativos de tranferência.
Nem a política de “fazer o bolo crescer primeiro para depois dividir”, nem a política do “pão e circo” são sustentáveis. Você pode me perguntar então: Qual é a sua visão de política então?
Para mim, política deveria adotar o príncípio do Churrasco, e o presidente o churrasqueiro. Todo mundo que chega no churrasco, tem a expectativa de comer carne, mas é paciente pois sabe que preparar a carne demora. Então vão se contentando com outras coisas a serem oferecidas que também são boas, apesar de não ser a carne. A carne fica pronta de fora para dentro, e seria impossível esperar tudo ficar pronto para depois dividir (quem comesse a parte de fora comeria carvão, pois já não mais serviria seu propósito), e seria impossível dividir tudo de uma vez (quem comece o miolo estaria cru, e portanto precisa de mais tempo para ficar pronto). A chave aqui é entender que a Economia é um processo, que entrega resultados de curto, médio e longo prazo. É preciso equilibrio entre eficiência e equidade, é preciso conter as tendências extremas.
Minha opinião sincera, o Plano Real foi a melhor coisa que já aconteceu na trajetória econômica do Brasil, mudou nosso patamar de renda, de crescimento, de inflação. Nós saímos do Hall da perdição e entramos para o Hall da Fama na economia mundial. Mas desde 2002 que nós estamos fatiando essa carne, pois desde então tivemos políticos de tendência populista, quem gosta de dividir. Já não dá mais. É preciso colocar alguém que vai fazer a economia crescer, alguém que vai salvar essa nossa taxa de crescimento ridícula, que vai pensar nos empresários (são eles que dão emprego à população). Equilíbrio, esse é o canal.
Infelizmente, como estou morando nos Estados Unidos, não poderei fazer valer o meu direito de votar. Mas gostaria que refletissem sobre este assunto, e começassem a pensar em políticos que estão dispostos a promover um pouquinho de eficiência depois de 12 anos de pura equidade. Não vou citar nomes aqui porque não quero que pensem que este post está fazendo apologia a nenhum dos candidatos. Verdade seja dita, políticos perfeitos ainda estão para existir. Mas que considerem este contraponto em seu momento de votar.